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  • Maurício de Paula

PDI - Uma ferramenta transformadora, mas pouco valorizada na avaliação de desempenho.

Updated: Sep 24, 2019

O Plano de desenvolvimento individual - PDI, é uma ferramenta da avaliação de desempenho com um potencial incrível quando falamos em desenvolvimento de pessoas. Porém, quando pergunto aos líderes o que sugeriram aos seus colaboradores no PDI, são raríssimos os casos em que percebo um bom aproveitamento dessa oportunidade única para conquistar a tão buscada mudança comportamental.


O mais comum é ouvirmos os líderes dizerem que sugeriram a leitura de um livro, um treinamento ou uma palestra para seus colaboradores. Não há nada de errado nessas sugestões, porém, quando falamos em mudança comportamental, essas ações serão muito pouco efetivas. Vou explicar o porquê:


Pense sobre o que tem sido mais impactante na performance dos seus colaboradores. O que tem trazido maior oportunidade de melhoria? O que tem impactado mais nos resultados? Quais são os aspectos que você, como líder, vem trabalhando em seu feedback com as pessoas, porém sem o resultado efetivo?


O que você irá identificar, provavelmente está em ações que se repetem e que, mesmo com um esforço de mudança genuíno do seu colaborador, não estão tendo evolução significativa à ponto de uma mudança que traga impacto positivo e direto nos resultados.


Isso ocorre porquê não é fácil mudar padrões comportamentais. Muitas vezes, repetimos ações de forma inconsciente, não percebemos o que nos leva a agir da forma como agimos e não temos controle sobre determinados padrões de ação. Queremos mudar, sabemos da importância, mas encontramos uma enorme dificuldade para colocar em prática.


Imagine uma pessoa que tenha dificuldade de delegar, por exemplo.

Ela sabe da importância, tem claro o como fazer, mas quando vê, já assumiu e centralizou as ações. Porquê isso acontece? Quais as causas?


Não há uma resposta padrão para essas perguntas, pois cada indivíduo funciona de uma forma muito particular.


Dentro do exemplo da dificuldade na delegação podemos encontrar pessoas que, inconscientemente, percebam algum valor de importância na centralização. Se mantenho comigo, me torno mais acionado, logo me sinto mais importante com isso.


Outras podem apresentar essa mesma dificuldade por outro motivo. Por não confiar na capacidade dos outros, por acreditar que se não fizerem do seu jeito, logo não ficará bem feito.


Reforço que essas causas podem ser totalmente inconscientes, o que faz com que a mudança se torne algo muito mais difícil.


Certamente, não é papel do líder identificar causas inconscientes que levam as pessoas da sua equipe agirem como agem, porém mudar padrões de atitudes que estão bloqueando seus resultados faz sim parte importante do seu papel, afinal os resultados precisam ser alcançados e esses sim estão intrinsecamente ligados à sua atribuição.


Então, como ajudar as pessoas a mudarem esses padrões comportamentais?


Quando recomendamos treinamentos ou leitura de livros, partimos para uma ação puramente cognitiva, do âmbito do saber fazer. Esperamos que a pessoa aprenda a forma correta de fazer e que, com isso, modifique seu padrão comportamental.


Isso pode ajudar, mas dificilmente terá a eficácia esperada.


Como sempre digo em meus treinamentos e palestras, liderar requer investimento de tempo. Portanto, a melhor forma de ajudarmos nossos colaboradores nesse processo será o de acompanhá-los nessa mudança.


Aproveitar o momento do PDI para inserir ações em que o colaborador possa fazer dentro da sua vivência prática é o melhor modelo. Recomendar novas formas de atuação, propor exercícios, uso de ferramentas de apoio, enfim ações aplicáveis "por dentro" da atuação prática.


O resultado desse método ganha uma enorme assertividade porque o exercício faz o indivíduo confrontar o modelo novo com o padrão de repetição, ou seja, atua diretamente sobre o que está causando o padrão de repetição, independente de trazermos à tona o conteúdo dessa causa.


O que vai realmente importar, é que estaremos estimulando nossos colaboradores à lançarem mão dos seus próprios recursos para encontrarem novos caminhos em direção aos resultados. Essa será uma experiência transformadora porque, ao conseguir fazer a mudança no padrão comportamental, o colaborador terá consigo o poder da transformação. O sentimento será de conquista e o resultado será duradouro.


Liderar é uma arte que requer sensibilidade, inteligência emocional e muito trabalho!!





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